
Chairman do PicPay fala sobre a criação do sistema precursor do Pix e elogia trabalho do BC
14/10/2024
Governo federal quer que Enel ressarça clientes por prejuízos durante apagão e aponta falha de fiscalização
14/10/2024 Vista do Shopping Pátio Paulista, na região centro-sul da cidade de São Paulo (SP), que ficou sem energia devido a um apagão que atingiu diversos bairro da capital paulista no início da noite de sábado (31).
ROBERTO SUNGI/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Carvalho, afirmou nesta segunda-feira (14) que houve falha na fiscalização da distribuidora da região metropolitana de São Paulo, a Enel.
Segundo ele, trata-se de um problema reincidente na concessionária, uma conduta “inadmissível”. O governo federal também vai cobrar da empresa o ressarcimento dos prejuízos causados pela falta de energia elétrica.
A atuação da concessionária tem sido questionada após moradores de várias cidades da Grande SP e de bairros da capital paulista denunciarem que estão há dias sem luz. A situação começou por conta de um temporal que atingiu a cidade na última sexta-feira (11).
Até a manhã desta segunda, cerca de 430 mil imóveis de cidades da Grande São Paulo continuavam sem energia elétrica, terceiro dia de apagão.
“É importante dizer que é inadmissível que uma situação como essa aconteça, ainda mais duas vezes. […] Sem que as medidas emergenciais tenham sido adotadas na velocidade necessária para pelo menos mitigar os danos causados por este tipo de situação”, declarou Carvalho, durante coletiva de imprensa no Palácio do Planalto.
De acordo com Carvalho, a primeira constatação da CGU é que o apagão dos últimos dias em diversos municípios é resultado de alguma falha.
“Em que extensão essa falha é da fiscalização da Aneel, da agência do estado de São Paulo e que pode ter havido algum tipo, e eu não estou pré-julgando, de mecanismos de manipulação pela própria empresa para que as falhas que ela eventualmente fazia não fossem detectadas, tudo isso a nossa investigação e fiscalização vai determinar e vai dimensionar”, declarou.
Também durante a coletiva, o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, anunciou que o governo avalia entrar com uma “ação por dano moral coletivo” — um processo judicial por causa de lesão a interesses da sociedade.
Segundo Messias, a ação pode ser movida “em razão de práticas reiteradas de infrações contratuais por parte desta concessionária de energia elétrica”.
O objetivo é que a “concessionária assegure, garanta efetivamente a reparação de todos os prejuízos causados aos consumidores, pessoas físicas, jurídicas e microempresários que neste momento precisam terem seus bens ressarcidos diante dos eventos climáticos que ocorreram nos últimos dias na cidade de São Paulo”, destacou.
Mas, neste momento, a prioridade é “atender as pessoas e garantir o restabelecimento de luz e ressarcimento dos bens prejudicados”.
Auditoria na Aneel
A CGU vai iniciar uma auditoria na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para apurar as medidas de fiscalização adotadas pela agência no caso da Enel.
Os apagões em São Paulo e a demora na retomada do fornecimento de energia pela Enel são casos reincidentes. Além do apagão neste mês, os clientes da distribuidora também ficaram sem luz em novembro de 2023 e março deste ano.
Em novembro, a causa do apagão também foi a ocorrência de chuvas intensas, com queda de árvores.
Messias citou o plano de contingência da Enel, elaborado depois do temporal de novembro de 2023. Segundo ele, a reincidência agrava a situação da empresa.
“Se a empresa não cumpriu o que era necessário ter feito, agora ela vai cumprir. Até porque, se ela é reincidente, as consequências sobre o não cumprimento do próximo plano de contingência, ou da formulação de um próximo plano de contingência elaborado, são muito mais intensas do que foram até agora”, declarou.
Fonte: G1 Read More