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Número não é o PIB oficial, que só será divulgado em março pelo IBGE. Indicador mostra economia mais aquecida que no ano anterior, quando houve uma expansão menor: de 2,7%. Em dezembro, índice de atividade registrou forte queda. Movimentação intensa de consumidores na região de comércio popular da Rua 25 de Março, no centro de São Paulo, na tarde deste sábado, 26 de novembro de 2022.
WAGNER VILAS/ESTADÃO CONTEÚDO
O Índice de Atividade Econômica (IBC-BR) do Banco Central, considerado a “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB), registrou expansão de 3,8% em 2024 na comparação com o ano anterior, informou a instituição nesta segunda-feira (17).
Com o crescimento registrado no último ano, o indicador do BC mostra aceleração da economia em relação a 2023, quando houve uma expansão menor: de 2,7%.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos no país, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira. O IBC-Br, indicador do BC, tem um cálculo diferente (veja mais abaixo nessa reportagem).
O resultado oficial do PIB de 2024 será divulgado somente em 7 de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2023, o PIB registrou um crescimento de 3,2%.
O Ministério da Fazenda estimou, na semana passada, uma expansão de 3,5% para o PIB de 2024, que é a mesma projeção do BC para o crescimento da economia no último ano.
Apesar da forte expansão em 2024, o indicador de atividade do Banco Central registrou queda de 0,73% em dezembro do ano passado. Foi o maior recuo mensal desde maio de 2023.
Atividade tem surpreendido, mas analistas veem desaceleração em 2025
O ritmo de crescimento da economia brasileira tem mantido o dinamismo e surpreendido os economistas nos últimos trimestres.
No início de 2024, a projeção do mercado financeiro era de uma expansão de 1,6% para o PIB no ano passado.
Na semana passada, a expectativa dos economistas dos bancos já havia subido para uma alta de 3,5% para o PIB de 2024.
Inflação de alimentos: o desafio das famílias no Brasil
O BC informou no fim de janeiro que a atividade econômica, a despeito da política monetária contracionista (alta dos juros), surpreendeu positivamente e manteve dinamismo ao longo dos últimos trimestres.
“Em particular, o ritmo de crescimento do consumo das famílias e da formação bruta de capital fixo [taxa de investimentos] evidencia uma demanda interna crescendo em ritmo bastante intenso. Tal como em análises anteriores, o Comitê avalia que a conjunção de um mercado de trabalho robusto, política fiscal expansionista e vigor nas concessões de crédito amplo tem dado suporte ao consumo e à demanda agregada”, informou o BC, na ata da última reunião do Copom, quando os juros subiram.
O mesmo tom foi usado pelo Ministério da Fazenda, que avaliou, na semana passada, que o ritmo de crescimento surpreendeu mais uma vez em 2024. E citou os seguintes indicadores:
O desemprego atingiu patamar histórico mínimo em cenário de expansão da população ocupada e força de trabalho;
Houve aceleração no ritmo de expansão das concessões de crédito;
Pela perspectiva da demanda, o crescimento do consumo e o ritmo de recuperação dos investimentos foram surpresas positivas, contrabalanceando a contribuição negativa vinda do setor externo;
Do lado da oferta, a expansão da indústria e dos serviços mais que compensou o recuo na atividade agropecuária em 2024;
Na indústria, o crescimento foi impulsionado pela recuperação da transformação e da construção;
A aceleração no ritmo de crescimento do setor de serviços refletiu o crescimento das atividades de comércio, informação e comunicação e dos serviços prestados às famílias.
Haddad fala sobre previsão da economia brasileira
Para este ano, entretanto, o cenário projetado pelos analistas é de desaceleração do ritmo de crescimento da economia, sobretudo por conta do processo de alta dos juros (para conter a inflação) que vem sendo implementado pelo Banco Central nos últimos meses.
Outro fator que atua para conter o crescimento são as incertezas no cenário internacional, por conta de tensões comerciais decorrentes da política adotada pelo novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Para 2025, a projeção do mercado financeiro é de uma expansão de 2,01%.
PIB x IBC-Br
Os resultados do IBC-Br são considerados uma “prévia do PIB”. Porém, nem sempre mostraram proximidade com os dados oficiais do Produto Interno Bruto.
O cálculo dos dois é um pouco diferente – o indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no cálculo do PIB do IBGE).
O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o menor crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria menos pressão inflacionária.
Com as projeções de inflação acima da meta central neste e nos próximos anos, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou na semana passada que o BC está monitorando os indicadores mais recentes de atividade para ver se os dados confirmam uma desaceleração da economia.
Atualmente, a Selic está em 13,25% ao ano. O BC já subiu os juros em quatro oportunidades seguidas, e indicou uma nova alta para março, quando a taxa básica da economia atingirá, se confirmado, 14,25% ao ano.
Fonte: G1 Read More