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07/07/2026
Fábrica da BYD em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador
Malu Vieira/ g1 BA
A decisão de ampliar a isenção de imposto para carros elétricos semidesmontados até janeiro de 2027 cria um cenário de competição desigual. A declaração foi feita nesta terça-feira (7) por Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Segundo o executivo, as marcas de veículos com infraestrutura instalada há mais tempo no Brasil ficam em desvantagem na competição contra as marcas chinesas, que trazem veículos desmontados em grandes volumes e com menos impostos.
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“Se é para simplesmente importar, a empresa faz isso com custo chinês, com logística e custo de capital mais baratos. Aí não há jeito de competir”, explica Calvet.
Em junho deste ano, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) renovou a cota de importação sem impostos de veículos elétricos semimontados e desmontados. Conhecidos como processos CKD e SKD.
Carregador ultrarrápido da BYD vai até 97% em 9 minutos
Pela decisão do governo, os veículos montados no Brasil (chamados de CKD) e os semimontados no país (chamados de SKD) não pagarão imposto de importação pelos próximos seis meses.
O volume de importações que não pagarão imposto é de US$ 463 milhões durante seis meses, a partir de 1º de julho de 2026. A medida vale até janeiro de 2027.
Como são montados os carros com partes importadas
Arte/g1
Critério ruim
Uma das reclamações da Anfavea junto ao Gecex é de que não houve discussão em postergar o incentivo. A decisão teria sido tomada sem consultar a entidade e seus associados.
Segundo Andrea Serra, diretora tributária e de comércio exterior da Anfavea, um dos critérios para usufruir do benefício é o cálculo do volume de importação. Essa conta leva em consideração as operações desde 2023, o que, segundo Serra, não reflete o mercado de hoje.
“Um dos nossos pedidos seria considerar somente os últimos seis meses para dividir essa cota com um retrato mais atual do mercado brasileiro”, explica a diretora.
Da maneira que está calculada a isenção, cerca de 80% dessa cota corresponde somente a BYD.
Mais desemprego
Segundo Calvet, se o Brasil mudasse toda a indústria automotiva para os regimes de CKD e SKD, seriam perdidos 70% dos empregos do setor. Isso aconteceria porque o processo de montagem é mais simples, tem menos etapas e demanda menos mão de obra.
Um estudo da Anfavea estima que de cada 10 trabalhadores necessários para a produção de carros no Brasil, apenas seriam necessários para montar o mesmo carro em regime de CKD ou SKD.
“Não adianta haver indicativo que o Brasil precisa caminhar para uma produção sofisticada e completa de carro eletrificados e, ao mesmo tempo, haver incentivo para importação de carros desmontados”, diz Calvet.
Fonte: G1 Read More



