
Produção de carne bovina do Brasil deve cair em 2026 em meio a tarifas, barreiras comerciais e incertezas no mercado global
05/08/2026
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O mundo pode enfrentar uma nova onda de inflação dos alimentos, impulsionada pela combinação da guerra entre Irã e Israel, do conflito na Ucrânia e dos efeitos do El Niño sobre a produção agrícola.
O alerta é de Máximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), que prevê uma alta dos preços das commodities agrícolas ainda neste ano, com impacto mais forte sobre os alimentos no fim de 2026 e ao longo de 2027.
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Em entrevista à Reuters, Torero afirmou que a transmissão do aumento das commodities para o preço pago pelo consumidor costuma levar de três a seis meses.
“Acreidto que os preços das commodities comecem a subir mais agora, e que os alimentos passem a encarecer até o fim do ano. No ano que vem, com certeza, a alta será ainda maior”, disse.
Os alimentos tiveram papel central na disparada da inflação global em 2022. Neste ano, porém, os preços permaneceram relativamente comportados, ajudando até a amenizar, em alguns países, o impacto da alta dos custos de energia. Segundo o economista, essa estabilidade deve ser temporária.
Isso porque a alta do petróleo, a redução da oferta de fertilizantes provenientes da região do Golfo, a escassez de diesel em algumas partes do mundo e os eventos climáticos extremos estão elevando os custos de produção agrícola. Esse aumento, segundo ele, inevitavelmente chegará ao consumidor, ainda que com algum atraso.
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Embora os preços de commodities como trigo, milho e arroz tenham subido nos últimos meses, eles ainda refletem boas safras recentes e não incorporam plenamente as dificuldades esperadas para o próximo ciclo agrícola.
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Ormuz preocupa setor agrícola
Torero destacou que o Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo e do gás natural comercializados no mundo, tornou-se um fator de preocupação para o setor agrícola.
“O Estreito de Ormuz afeta todos os insumos da agricultura. O petróleo Brent é usado no bombeamento de água, nas embalagens, no processamento e no transporte. Já o gás natural é essencial para a produção de fertilizantes”, afirmou.
Ao mesmo tempo, os ataques da Ucrânia à infraestrutura russa de petróleo e gás reduziram a oferta exportável de diesel e gás natural — dois insumos fundamentais para a produção de alimentos.
Como os preços das commodities são determinados globalmente, os efeitos acabam sendo sentidos em diversos países, ainda que as economias mais ricas tenham maior capacidade de proteger seus produtores.
“Estamos ouvindo isso na Europa, nos Estados Unidos, no Brasil e na Ásia. As margens apertadas estão influenciando as decisões de plantio”, disse Torero.
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Nos Estados Unidos, por exemplo, produtores das nove principais culturas agrícolas podem acumular perdas de US$ 32 bilhões (R$ 164,48 bilhões) em 2027 sem apoio do governo federal, segundo a American Farm Bureau Federation. A entidade estima que todas as culturas analisadas devem operar abaixo do ponto de equilíbrio financeiro no próximo ano.
Os efeitos já começam a aparecer na produção mundial
O plantio de trigo e milho diminuiu nos três primeiros meses da guerra envolvendo o Irã, enquanto parte dos agricultores americanos migrou para a soja, cultura que exige menos fertilizantes.
Na Austrália, um dos maiores exportadores agrícolas do mundo, o governo prevê uma queda de 21% na produção das culturas de inverno, atribuída, em parte, ao forte aumento dos preços dos combustíveis e dos fertilizantes, além das incertezas sobre a disponibilidade desses insumos.
Como o El Niño impacta a alimentação
Outro fator de pressão é o El Niño, que neste ano deve ser especialmente intenso. O fenômeno altera os padrões de chuva em diversas regiões do planeta, reduz a produtividade agrícola, eleva os preços das commodities e pode levar dezenas de milhões de pessoas à insegurança alimentar grave.
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Na Índia, por exemplo, a temporada de monções já começou com atraso e as previsões apontam chuvas abaixo da média neste mês, o que pode prejudicar a produção de arroz e pressionar ainda mais os preços globais dos alimentos.
Fonte: G1 Read More



