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Galão de gasolina supera 4 dólares nos EUA, maior preço desde 2022
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, culpou os ataques ucranianos a refinarias de petróleo russas pelos altos preços da gasolina, nesta segunda-feira (5).
Em um post na rede Truth Social, Trump, que vive um momento tenso faltando menos de um mês para as eleições de meio de mandato dos EUA – quando os americanos irão escolher seus representantes do Congresso -, tentou negar que a guerra do país com o Irã ainda seja a razão para que o combustível siga pesando no bolso dos consumidores.
Os preços estão altos desde o começo do ano, quando os EUA lançaram seu ataque contra o regime iraniano ao lado de Israel e Teerã fechou o Estreito de Ormuz em retaliação.
Trump também acusou governadores democratas de influenciarem no valor fechando refinarias em seus estados.
“O que está impulsionando o preço da gasolina não é mais o Estreito de Ormuz, porque números recordes de barris estão sendo exportados quase diariamente, mas sim a palavra ‘refinarias’. As refinarias russas estão sendo destruídas pela Ucrânia e as nossas estão sendo fechadas em estados democratas, como a Califórnia, pelos democratas”, afirmou.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante lançamento do America.gov
Mark Schiefelbein/AP
Por que a exportações de petróleo subiram, mas o preço não diminui?
Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, o mercado acompanha de perto os efeitos do conflito sobre o preço do petróleo.
As interrupções na produção e no transporte aumentaram o temor de falta de oferta, principalmente por causa do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o petróleo produzido no Oriente Médio.
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Oito meses depois, após tentativas frustradas de acordo de paz, o petróleo voltou a subir mesmo com a reabertura da rota. Na quinta-feira (1º), o Brent, referência internacional, superou novamente US$ 100 por barril.
Em meio ao conflito, as exportações do Golfo Pérsico, área marítima do Oriente Médio que concentra grandes produtores de petróleo, começaram a se recuperar e chegaram a 23,3 milhões de barris por dia na última semana de setembro, segundo estimativa do Goldman Sachs. O volume está próximo da média de 2025.
O que está por trás do impasse entre Irã e EUA
🤔 Mas, se o petróleo voltou a ser transportado, por que o preço continua alto? Entenda:
O que aconteceu com o petróleo durante a guerra?
O conflito entre EUA e Irã aumentou a preocupação com o fornecimento da commodity, uma vez que o Oriente Médio concentra alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo.
O principal ponto de atenção foi o Estreito de Ormuz, passagem que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é usada para transportar petróleo produzido por países como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
Quando o transporte pela região foi afetado, surgiu o temor de que menos petróleo chegasse ao mercado internacional. Isso fez os preços subirem mesmo antes de uma falta efetiva do produto, já que compradores e investidores passaram a considerar o risco de uma interrupção prolongada.
🔎 A alta do petróleo afeta a economia porque encarece combustíveis como gasolina e diesel e também aumenta o custo do transporte de pessoas e mercadorias. Esse repasse pode pressionar os preços de outros produtos e contribuir para uma inflação maior.
Com a recuperação do transporte pelo estreito, parte dessa preocupação diminuiu, mas não desapareceu completamente.
Por que o petróleo não caiu junto com a retomada das exportações?
Um dos motivos para a alta persistente é que a recuperação do mercado de petróleo não aconteceu de forma igual em toda a cadeia.
O petróleo bruto voltou a circular em volumes próximos dos níveis anteriores, mas os combustíveis já refinados, como diesel, gasolina e querosene de aviação, continuam com exportações abaixo do normal.
🔎 Isso acontece porque o conflito também afetou refinarias e aumentou os riscos para o transporte desses produtos. Assim, pode haver petróleo bruto disponível, mas ainda existir dificuldade para transformá-lo em combustíveis e levá-los até os consumidores.
Para Felipe Sant’Anna, analista da Axia Investing, é importante separar essas diferentes etapas. “Uma coisa é a produção, outra coisa é o refino, outra coisa é a mobilidade, a exportação, seja por oleodutos ou seja mesmo por navios petroleiros”, afirma.
Estoques baixos mantêm pressão sobre o petróleo
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), os estoques globais de petróleo caíram 507 milhões de barris desde fevereiro.
No mesmo período, países-membros liberaram mais de 300 milhões de barris de suas reservas de emergência. Com os estoques baixos, empresas e governos podem aumentar as compras para formar reservas de segurança, mantendo os preços pressionados.
Medo de nova interrupção
Mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz, o mercado ainda considera o risco de novos problemas no abastecimento.
Uma nova escalada da guerra ou ataques a instalações de produção, refinarias e navios poderiam reduzir a oferta e elevar novamente os preços.
“Essas tensões que nós temos e essa incerteza fizeram com que muitos países guardassem petróleo para si e não quisessem mais ‘abrir essa torneira’ para o mundo, o que faz com que os investidores precifiquem os contratos futuros de petróleo para cima”, diz Sant’Anna.
Inverno pode aumentar a demanda
A chegada do inverno no Hemisfério Norte também pode pressionar os preços da matéria-prima, já que aumenta o consumo de energia nos EUA e na Europa.
“Quando o inverno chegar no hemisfério norte, o consumo de energia e principalmente energia de petróleo, né, gás natural, petróleo e derivados, vai aumentar muito”, afirma o analista.
O governo alemão anunciou cortes nos impostos sobre gasolina e diesel para aliviar o impacto da alta dos combustíveis sobre consumidores e empresas.
Reuters
O que precisa acontecer para o petróleo voltar a cair?
De acordo com a analista Maria Carolina Luchesi, da Hike Capital, uma queda mais consistente dos preços dependeria de três fatores:
recuperação duradoura das exportações;
retomada da produção interrompida;
normalização do mercado de combustíveis.
A EIA estima que 5,7 milhões de barris por dia de produção fiquem parados, em média, no quarto trimestre e projeta que a maior parte da produção do Oriente Médio volte a níveis próximos aos anteriores ao conflito no segundo trimestre de 2027.
Ou seja, o mercado precisa ter mais segurança de que o petróleo continuará chegando aos consumidores, que as refinarias voltarão a funcionar normalmente e que os estoques começarão a ser recompostos.
Nesta sexta-feira (2), o petróleo voltou a ficar abaixo de US$ 100 após relatos de que países podem liberar reservas de diesel e petróleo para aumentar a oferta global.
Segundo a Reuters, países da União Europeia discutem a liberação de 50 milhões de barris de diesel, enquanto membros da Agência Internacional de Energia poderiam liberar outros 50 milhões de barris de petróleo.
Enquanto isso, EUA e Irã seguem em impasse após meses de guerra e negociações frustradas. As principais divergências envolvem o programa nuclear iraniano, as sanções americanas e a reabertura do Estreito de Ormuz. O Irã quer o fim das sanções e garantias para retomar as negociações, enquanto os EUA exigem restrições ao programa nuclear e livre navegação na região.
petróleo
REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
Fonte: G1 Read More


