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Santiago Peña, economista e ex-ministro da Fazenda durante o governo de Cartes
REUTERS
A Câmara dos Deputados do Paraguai começou a discutir nesta quinta-feira (5) um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña. Apresentada pela oposição em meio à crise do banco digital Ueno, a proposta também recebeu o apoio da bancada governista do Partido Colorado, que anunciou voto favorável à abertura do processo.
O Ueno, que deixou milhares de clientes sem acesso ao próprio dinheiro, teve sua liquidação determinada pelo Banco Central na terça-feira (3). A decisão deu início ao processo de encerramento das atividades do banco, após a autoridade monetária constatar que a instituição não tinha recursos suficientes para pagar suas dívidas.
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O pedido foi apresentado inicialmente por 35 deputados da oposição, que pediram uma sessão extraordinária da Câmara para discutir o assunto. Com a adesão dos 36 deputados governistas, a proposta pode receber apoio unânime.
➡️ Para que o impeachment avance, pelo menos dois terços dos deputados precisam votar a favor do pedido. Ainda não se sabe se os parlamentares da base governista apoiarão a iniciativa.
Agora no g1
A oposição acusa Peña de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de dinheiro destinado ao pagamento de aposentadorias e outros benefícios, entre outras irregularidades. Os parlamentares também afirmam que o Banco Central teria escondido problemas do banco.
A ligação do presidente com o banco está no centro das acusações. Peña teve ações do Grupo Vázquez, que controla o Ueno, até março de 2025. Ele já tinha participação no grupo antes de assumir o governo, em 2023.
👉 O pedido de impeachment é um novo desdobramento da crise, que já havia provocado a renúncia de Carlos Carvallo, presidente do Banco Central do Paraguai, e a prisão de oito diretores do Ueno, entre eles o presidente-executivo, Miguel Vázquez.
Crise no Ueno
O Ueno, que tinha cerca de 3 milhões de clientes e era o maior emissor de cartões de crédito do Paraguai, enfrentava problemas financeiros e era alvo de investigações.
Após uma revisão dos registros financeiros do banco, o indicador que mede sua capacidade de cumprir as obrigações financeiras caiu para menos da metade do mínimo exigido pelas autoridades.
O Banco Central identificou que o Ueno não tinha dinheiro suficiente para cumprir suas obrigações. O problema estava relacionado a empréstimos feitos a empresas ligadas ao próprio banco.
⚖️ Diante da situação, o BC iniciou o processo de liquidação do Ueno para proteger os clientes com dinheiro depositado e limitar possíveis impactos sobre outros bancos e instituições financeiras.
O Ministério Público também abriu uma investigação criminal sobre o caso:
Oito pessoas ligadas ao banco se entregaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão.
A Procuradoria acusou formalmente 27 pessoas e a Justiça determinou o bloqueio dos bens dos investigados.
Nos últimos meses, o Ueno já vinha sob maior fiscalização. Órgãos reguladores investigavam se a instituição havia financiado indiretamente a venda de uma carteira de ativos de uma empresa ligada ao Grupo Vázquez. O banco negava a operação.
O banco administrava aproximadamente US$ 850 milhões (R$ 4,63 bilhões) em dinheiro público no Paraguai, incluindo valores do Instituto de Previdência Social (IPS) e de outros fundos públicos destinados ao pagamento de aposentadorias e benefícios.
Na terça-feira, clientes foram às agências do banco, mas encontraram as portas fechadas. Entre eles estavam aposentados que recebem benefícios do governo por meio do Ueno.
“Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno”, disse à agência Reuters Manuel Cáceres, morador de Ñemby, nos arredores de Assunção. “Infelizmente, muita gente, inclusive eu, está passando a manhã assim.”
Peña anuncia medidas para ressarcir clientes
Diante da crise, Peña anunciou um acordo com líderes do Congresso para acelerar a votação de um projeto que autoriza o uso do Fundo de Garantia do país para devolver dinheiro aos clientes do banco.
O presidente afirmou ainda que a medida deve garantir a devolução do dinheiro público depositado no banco, incluindo valores do IPS e de outros fundos públicos de previdência.
Nesta quarta-feira, Peña promulgou a lei que permitirá aos clientes do Ueno recuperar o dinheiro mais rapidamente. O presidente não se pronunciou publicamente sobre o pedido de impeachment, mas afirmou na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão à Justiça, sem exceções.
“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou.
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Governo tenta conter preocupação com sistema financeiro
A crise também preocupou clientes de outras instituições financeiras. Nesta quarta-feira, circularam relatos de falhas nos aplicativos de outros bancos, em meio ao aumento das transferências de dinheiro de clientes do Ueno para outras instituições.
A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que os bancos trabalhavam para atender ao grande número de clientes que transferiam dinheiro. A entidade ressaltou que o sistema bancário continuava “operando normalmente”.
O Banco Central também afirmou que o caso do Ueno é isolado e não indica que haja problemas em outras instituições financeiras do país.
Peña procurou afastar o temor de que a crise atingisse outros bancos e disse que “este é um caso específico de uma entidade, não do sistema financeiro nacional”. O presidente acrescentou que os responsáveis pelo caso “devem responder perante o Judiciário, sem exceções e sem privilégios”.
Segundo o Banco Central, a Superintendência de Bancos vai nomear auditores para examinar a situação dos bens e direitos do Ueno, como os empréstimos que o banco tem a receber.
Renúncia do presidente do Banco Central
A crise também levou à saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central. Ele havia comandado o próprio Ueno até agosto de 2023. Parlamentares criticavam tanto Carvallo quanto o BC pela fiscalização do banco.
Carvallo havia afirmado que permaneceria no cargo enquanto as autoridades conduzissem as medidas para lidar com a crise. Ao anunciar sua renúncia, disse que a decisão ajudaria a reduzir a controvérsia em torno do Banco Central.
Segundo ele, a saída permitiria que o BC e a Superintendência de Bancos trabalhassem sem a interferência das disputas políticas e da repercussão na imprensa.
Parlamentares já haviam pedido a demissão dos principais dirigentes do BC após rejeitarem um relatório sobre o Ueno por considerá-lo incompleto.
O caso também afetou o mercado financeiro. As preocupações com o Ueno pressionaram os preços dos títulos de dívida em dólar emitidos pelo banco, com vencimento em 2031, e dos títulos da dívida do governo paraguaio.
Com a maior parte de suas ações nas mãos do Grupo Vázquez, o Ueno passou rapidamente de uma empresa local de tecnologia financeira voltada a um público específico a um banco de médio porte, em uma trajetória semelhante à de plataformas digitais como Monzo e Nubank.
* Com informações da agência de notícias Reuters
Fonte: G1 Read More


