
Comissão da Câmara debate impactos da pirataria no mercado de apostas on-line
07/08/2026
Tive que fazer um botox no meu currículo’: como a IA prejudica mulheres nos processos seletivos de empregos
07/08/2026
Montagem mostra Lisa Cook e Donald Trump
SAUL LOEB and ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retomou a tentativa de demitir a diretora do Federal Reserve (Fed) Lisa Cook, depois que a Suprema Corte americana impediu, em junho, que ele a afastasse do cargo, segundo uma carta obtida pela Reuters.
A Casa Branca informou Cook, em uma carta enviada nesta semana, que o presidente estava “considerando” removê-la da função e exigiu que ela apresentasse uma resposta, em até três semanas, a acusações ainda não comprovadas de fraude hipotecária — alegações que o advogado da governadora classificou como “sem fundamento”.
A nova ofensiva contra Cook é a segunda vez nesta semana que Trump retoma uma medida que havia sido barrada anteriormente pela Suprema Corte. O presidente também publicou uma nova ordem tentando restringir a cidadania americana por direito de nascimento, depois que a Corte rejeitou sua tentativa anterior de limitar quem poderia ser automaticamente considerado cidadão dos EUA.
A carta enviada a Cook, assinada pelo vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Dan Scavino, e divulgada inicialmente pela ABC News, afirma que ela teria cometido crimes que poderiam resultar em até 30 anos de prisão. O documento também acusa a governadora de negligência, alegando que sua conduta colocaria em dúvida sua confiabilidade para permanecer no cargo no Fed, segundo a ABC.
Em nota, o advogado de Cook afirmou que “não existe uma causa válida” para retirar a governadora da instituição.
“Assim como fizemos anteriormente, vamos contestar esse novo pretexto e preservar sua posição e o papel histórico do Federal Reserve”, disse o advogado Abbe D. Lowell.
O Federal Reserve não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. A Casa Branca também não se manifestou de imediato.
No ano passado, Trump já havia citado suposta fraude hipotecária ao tentar demitir Cook, a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira de governadora do Fed. Ela negou as acusações e afirmou que elas eram apenas um pretexto para afastá-la por divergências sobre a condução da política monetária.
Em junho, a Suprema Corte dos Estados Unidos impediu temporariamente a demissão de Cook, mantendo a proteção à independência do banco central diante de um desafio sem precedentes feito pelo presidente republicano.
Por uma decisão apertada, de 5 votos a 4, a Corte bloqueou a tentativa de Trump de remover Cook do cargo por enquanto, estabelecendo uma proteção específica para os dirigentes do Fed.
Desde a criação do banco central americano, em 1913, nenhum outro presidente havia tentado retirar um governador do Federal Reserve.
O presidente da Suprema Corte, o conservador John Roberts, responsável pelo voto que orientou a decisão, afirmou que Trump “não garantiu a Cook as proteções processuais previstas em lei”. Segundo ele, sem essas garantias, a governadora não teria condições adequadas de contestar as acusações feitas pelo presidente.
Roberts e o também conservador Brett Kavanaugh se juntaram aos três juízes liberais da Corte para formar a maioria. Os conservadores Clarence Thomas, Samuel Alito, Neil Gorsuch e Amy Coney Barrett foram contrários à decisão.
Embora a decisão proteja os dirigentes do Fed contra demissões arbitrárias por parte de um presidente, a Suprema Corte afirmou que não estava avaliando a validade das acusações feitas contra Cook. O caso foi devolvido às instâncias inferiores da Justiça.
“Permanece, ao menos por enquanto, uma questão em aberto sobre o que exatamente aconteceu e, de fato, se Cook cometeu ‘negligência grave’, muito menos uma ‘conduta enganosa e potencialmente criminosa’, como afirma a carta do presidente”, escreveu Roberts. Ele acrescentou que Cook deve ter a oportunidade de responder às acusações feitas contra ela.
O que está por trás da disputa entre Trump e Lisa Cook
No ano passado, Trump já havia citado suposta fraude hipotecária ao tentar demitir Cook, a primeira mulher negra a integrar o conselho de diretores do Fed. Ela negou as acusações e afirmou que elas serviam de pretexto para afastá-la por divergências em relação à política monetária.
🔎 Trump anunciou a demissão em agosto de 2025, mas a Justiça barrou a medida. A Casa Branca recorreu, e a Suprema Corte confirmou a decisão nesta segunda-feira (29).
Em junho, a Suprema Corte dos EUA rejeitou o pedido de Trump para demitir Cook, preservando a independência do banco central diante da contestação inédita feita pelo presidente republicano.
Por 5 votos a 4, a Corte decidiu impedir, ao menos por enquanto, a remoção de Cook, garantindo uma proteção específica ao Federal Reserve.
Entenda a decisão sobre Lisa Cook
O presidente da Suprema Corte, John Roberts, e o conservador Brett Kavanaugh acompanharam três juízes liberais para formar a maioria que proibiu a demissão de Cook. Clarence Thomas, Samuel Alito, Neil Gorsuch e Amy Coney Barrett divergiram.
A decisão se soma a outro julgamento relevante, de 20 de fevereiro, quando a Corte derrubou grande parte das tarifas globais de Trump.
Roberts, que redigiu a decisão da Corte, afirmou que Trump “deixou de conceder a Cook as proteções processuais às quais ela tinha direito por lei.
“Sem essas proteções, ela não poderia contestar adequadamente as acusações que o presidente fez contra ela”, afirmou.
Os membros do Conselho de Governadores do Federal Reserve “não servem por mera liberalidade do presidente; em vez disso, cumprem mandatos escalonados de 14 anos e só podem ser destituídos ‘por justa causa'”, acrescentou Roberts.
Em agosto, Trump citou suspeitas não comprovadas de fraude imobiliária ao tentar demitir Cook — a primeira mulher negra a ocupar o cargo. Ela afirma que a medida foi motivada por divergências sobre a condução dos juros por parte do Fed.
Os juízes também rejeitaram um pedido do Departamento de Justiça para liberar a demissão imediata, enquanto segue o processo aberto por Cook. Ela nega as acusações.
O Fed é o banco central mais influente do mundo e define o custo do crédito nos Estados Unidos e, indiretamente, em outros países. A instituição tem sido alvo de críticas de Trump desde seu retorno à presidência, em janeiro de 2025.
*Reportagem em atualização
Fonte: G1 Read More



