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Álcool, cigarro e home office: quais os limites da postura no trabalho remoto
Nesta semana, um juiz de Minas Gerais apareceu fumando e aparentemente consumindo bebida alcoólica durante uma sessão virtual de julgamento. O episódio resultou no afastamento do magistrado e reacendeu um debate: quais são os limites do que pode ser feito durante o expediente remoto?
Situações que antes pareciam impensáveis passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas que trabalham de casa. Trabalhar de pijama. Participar de reuniões sem camisa. Responder mensagens do salão de beleza, da academia ou da praia. Fazer uma pausa durante o expediente para colocar roupa na máquina.
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Mas quais dessas situações podem representar uma violação das regras de trabalho? Especialistas em recursos humanos e direito explicam até que ponto vai a flexibilidade do trabalho remoto e quais responsabilidades profissionais continuam valendo fora do escritório.
Juiz foi afastado após beber e fumar em sessão virtual
g1
O que muda quando o trabalho é feito de casa?
A resposta dos especialistas é praticamente unânime: do ponto de vista profissional, muito pouco.
Para trabalhadores contratados pela CLT, a residência passa a funcionar como local de trabalho durante o expediente. Por isso, regras de conduta, políticas internas e expectativas da empresa continuam valendo normalmente.
“A pessoa está trabalhando. O fato de estar em casa não muda essa condição. É perfeitamente possível o estabelecimento de regras de comportamento, mesmo para o empregado que está em formato de trabalho remoto”, afirma a advogada trabalhista Gabriela Dell Agnolo de Carvalho.
No caso dos magistrados, há ainda normas específicas ligadas à função pública e ao dever de manter conduta compatível com o cargo, inclusive durante atividades realizadas por videoconferência.
Posso trabalhar de pijama, sem camisa ou em outro ambiente fora de casa?
Do ponto de vista legal, não existe uma regra geral na CLT que proíba trabalhar de pijama, sem camisa ou em outros locais.
Segundo a consultora de RH e carreiras Karla Lemos, a questão central não está na roupa ou no local escolhido para trabalhar, mas na forma como o profissional desempenha suas atividades.
“O que realmente importa é a entrega. Se a pessoa consegue realizar um trabalho relevante, dentro do prazo e de acordo com o que se espera dela, não há problema na roupa que está usando ou no ambiente em que está trabalhando”, afirma.
Ela ressalta, porém, que situações que afetam a imagem profissional ou prejudicam reuniões, atendimentos e entregas podem gerar avaliações negativas.
“A principal pergunta não é: ‘Posso trabalhar de pijama?’. A pergunta é: esse comportamento é adequado ao contexto em que a pessoa está naquele momento?”
Quais são os ‘limites invisíveis’ do home office?
Para Karla, o principal risco é confundir flexibilidade com falta de responsabilidade.
Pequenas atividades domésticas durante o expediente, como colocar roupas na máquina ou resolver questões rápidas da rotina, fazem parte da realidade de quem trabalha remotamente e não são, por si só, sinais de falta de comprometimento. O problema surge quando a autonomia passa a afetar a disponibilidade e o desempenho do trabalhador.
“Home office não significa férias com Wi-Fi. A casa é do profissional, mas os compromissos, as entregas e os prazos continuam sendo da empresa.”
Segundo ela, atrasar reuniões, desaparecer durante o expediente, deixar mensagens sem resposta por longos períodos ou participar de encontros sem conhecer a pauta continuam sendo comportamentos vistos de forma negativa, independentemente do local de trabalho.
Home office trabalho remoto
Pexels
Beber álcool e fumar durante o expediente pode gerar punição?
Dependendo das circunstâncias, sim. A advogada Gabriela Dell Agnolo de Carvalho explica que o consumo de álcool durante a jornada pode resultar em medidas disciplinares e, em alguns casos, até justificar uma demissão por justa causa.
A análise leva em consideração fatores como o impacto da conduta sobre o trabalho, as regras internas da empresa e eventuais prejuízos causados.
🔎 Há uma exceção importante: o Tribunal Superior do Trabalho (TST) possui entendimento de que o alcoolismo pode ser reconhecido como doença, o que exige tratamento jurídico diferente de uma simples infração disciplinar.
O cigarro costuma receber tratamento diferente. Embora possa contrariar normas internas da empresa ou ser considerado inadequado em determinadas situações profissionais, fumar durante uma videoconferência normalmente resulta em medidas mais brandas, como advertências.
Isso ocorre porque o álcool pode comprometer diretamente a capacidade de trabalho, enquanto fumar geralmente é analisado como eventual descumprimento de regras corporativas.
Empresa pode criar próprias regras?
Especialistas explicam que as empresas possuem autonomia para estabelecer políticas internas de conduta aplicáveis também aos trabalhadores em home office.
🔎 Essas normas podem abordar temas como participação em reuniões, uso da imagem corporativa, vestimenta em videoconferências, consumo de álcool durante a jornada e relacionamento com clientes e colegas.
É diferente no caso de magistrados. Segundo a especialista em Direito da Magistratura Daniela Poli Vlavianos, a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) determina que juízes mantenham “conduta irrepreensível na vida pública e particular”.
Além disso, o Código de Ética da Magistratura prevê deveres relacionados à dignidade, ao decoro, à prudência e à integridade da função jurisdicional.
Por isso, comportamentos praticados durante audiências e julgamentos remotos podem ser analisados de forma diferente daqueles realizados na vida privada.
Juiz vira garrafa de vinho durante sessão de julgamento em MG
Fonte: G1 Read More



