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Casas Bahia demite 3 mil funcionários e fecha quase 300 lojas em agosto; entenda
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Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial
As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) protagonizam uma das maiores quedas da Bolsa brasileira dos últimos anos.
Depois de valerem mais de R$ 400 no auge da empresa, em 2020, os papéis passaram a ser negociados por centavos, refletindo a grave crise financeira enfrentada pela varejista.
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Na sexta-feira (14), último pregão antes do anúncio do pedido de recuperação judicial, as ações fecharam cotadas a R$ 0,66. Cinco anos antes, no pico histórico, o valor ajustado do papel havia chegado a cerca de R$ 489,08.
Quem comprou ações da empresa naquele período de maior valorização viu, assim, boa parte do investimento se dissolver ao longo dos anos.
Nesta segunda-feira (17), por volta das 10h41, os papéis da companhia eram negociados a R$ 0,46 — queda de 30%. Desde o pico histórico, as ações acumulam desvalorização de 99,86%.
O que explica a queda?
A desvalorização aconteceu gradualmente, acompanhando a piora dos resultados financeiros da companhia e um cenário econômico mais difícil para o varejo.
Na petição de recuperação judicial, a empresa afirma que a crise foi causada por uma combinação de fatores, entre eles:
aumento dos investimentos em tecnologia e logística para competir no comércio eletrônico;
impacto da pandemia sobre as lojas físicas;
forte alta dos juros a partir de 2021;
aumento do custo das dívidas;
queda do consumo das famílias e maior inadimplência.
Segundo a companhia, os juros elevados atingiram especialmente seu modelo de negócios, que depende de financiamento para manter estoques e oferecer crédito aos clientes.
Com isso, uma parcela cada vez maior do dinheiro gerado pela operação passou a ser destinada ao pagamento de despesas financeiras.
Plano de reestruturação não foi suficiente
Em 2023, a empresa iniciou um plano de transformação para reduzir custos. Entre as medidas estavam o fechamento de 55 lojas, a redução de cerca de 8.600 postos de trabalho, corte de investimentos e diminuição dos estoques.
No ano seguinte, a companhia renegociou parte das dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial, considerada bem-sucedida pela própria empresa.
Mesmo assim, afirmou que o ambiente econômico continuou desfavorável e que a pressão financeira permaneceu elevada.
No pedido de recuperação judicial a qual o g1 teve acesso, a Casas Bahia informou que aprofundou a reestruturação, com a demissão de cerca de 3 mil funcionários e o fechamento de quase 300 lojas. Atualmente, o grupo afirma empregar mais de 20 mil pessoas.
Empresa virou uma “penny stock”
Com a cotação abaixo de R$ 1, as ações da Casas Bahia passaram a integrar o grupo conhecido no mercado como “penny stocks”.
Esse termo é usado para designar ações negociadas por menos de R$ 1. Em geral, esses papéis costumam apresentar forte volatilidade e refletem empresas que atravessam momentos de grande dificuldade financeira — embora o preço baixo, por si só, não signifique que uma ação esteja “barata”.
Desde o pedido de recuperação extrajudicial, em abril de 2024, os papéis acumulam perda de 87,9%. Na época, eram negociados a R$ 7,30; antes da recuperação judicial, fecharam a R$ 0,66.
A empresa abriu capital na Bolsa em dezembro de 2013, quando ainda se chamava Via Varejo. Na época, a operação movimentou cerca de R$ 2,8 bilhões. Ao longo dos anos, a companhia mudou de nome para Via S.A. e, posteriormente, para Grupo Casas Bahia, adotando o ticker BHIA3.
Treze anos depois da estreia na Bolsa, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e tentar reorganizar sua situação financeira.
Movimentação de clientes em Loja das Casas Bahia, na zona sul da capital paulista, nesta segunda-feira, 29 de abril de 2024.
RENATO S. CERQUEIRA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Fonte: G1 Read More



